| Login | Crie o seu Jornal Online FREE!

A VOZ
Desde: 08/11/2009      Publicadas: 608      Atualização: 17/09/2013

Capa |  A SEMANA  |  AQUI E AGORA  |  CURTAS  |  INGÁ NOTÍCIA  |  O MUNDO  |  OPINIÃO DO EDITOR


 AQUI E AGORA

  11/05/2011
  0 comentário(s)


PARA NÃO ESQUECER JAMAIS! História de EDSON NEVES QUARESMA e YOSHITANE FUJIMORI -CXXVII

EDSON NEVES QUARESMA (1939-1970)
Filiação:
Josefa Miranda Neves e Raimundo Agostinho Quaresma
Data e local de nascimento:
11/12/1939, Apodi (RN)
Organização política ou atividade:
VPR
Data e local da morte:
05/12/1970, São Paulo (SP)
YOSHITANE FUJIMORI (1944-1970)
Filiação:
Harue Fujimore e Tadakazu Fujimori
Data e local de nascimento:
19/05/1944, Mirandópolis (SP)
Organização política ou atividade:
VPR
Data e local da morte:
05/12/1970, São Paulo (SP)

PARA NÃO ESQUECER JAMAIS! História de EDSON NEVES QUARESMA e YOSHITANE FUJIMORI -CXXVIINo dia 05/12/1970, Edson Neves Quaresma e Yoshitane Fujimori, militantes da VPR, trafegavam de carro pela Praça Santa Rita de Cássia, na capital paulista, quando foram
interceptados por uma patrulha do DOI-CODI/SP. Os fatos foram relatados à CEMDP por Ivan Akselrud de Seixas, que por sua vez colheu depoimento, na época, de um motorista de
táxi que presenciara o ocorrido. O taxista descreveu, detalhadamente, que Fujimori caiu no meio da praça e Quaresma numa rua de acesso, sendo carregado por dois policiais e
agredido na Praça até a morte. Fujimori chegou com vida ao DOI-CODI/SP, fato declarado a Ivan pelos policiais Dirceu Gravina e "Oberdan" durante seu interrogatório naquela
unidade de repressão política, em 1971.
Nascido em Itaú, que naquela época pertencia ao município de Apodi (RN), Quaresma era afro-descendente e estudou até a quinta série do curso primário em Natal. Em 1958,
ingressou na Escola de Aprendizes de Marinheiros, em Recife (PE), da qual saiu como grumete em 1959.
Logo em seguida, foi deslocado para o Rio de Janeiro, tendo servido no cruzador Tamandaré. Foi tesoureiro da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil. Após a
deposição de João Goulart, ficou preso na Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, durante um ano e dois meses. Em 31/12/1964 foi expulso da Armada. A partir de 1965, passou a atuar na
clandestinidade, vinculado ao MNR, Viajou para Cuba e lá recebeu treinamento de guerrilha. Teria regressado ao Brasil em julho de 1970, já integrado à VPR.
Quaresma mantinha estreita ligação com o agente infiltrado cabo Anselmo. Depoimento prestado pelo cabo ao DOPS, localizado nos arquivos secretos desse departamento policial,
explica que Quaresma tinha retornado de Cuba ao Brasil com a missão de preparar a chegada de próprio Anselmo. No voto da relatora do processo junto à CEMDP existem referências
à possibilidade de que a eliminação sumária desses dois militantes, de elevada importância na estrutura da VPR, tenha nexo com a necessidade de manter sob segredo a atuação
infiltrada do cabo Anselmo.
Natural de Mirandópolis, interior paulista, Fujimori era técnico em eletrônica e, nas atividades da VPR, os órgãos de segurança já sabiam de sua estreita ligação com Carlos Lamarca,
que nessa altura do calendário era considerado o inimigo número 1 do regime militar. Fujimori foi um dos militantes que acompanharam Lamarca no rompimento do cerco imposto a
uma área de treinamento da VPR no Vale do Ribeira, em São Paulo, no primeiro semestre daquele ano e um dos acusados de executar a coronhadas o tenente da PM paulista Alberto
Mendes Junior.
Ambos foram sepultados como indigentes no Cemitério de Vila Formosa, Quaresma, sob nome falso. Os laudos de necropsia foram assinados por Harry Shibata e Armando Canger
Rodrigues. A solicitação de exame necroscópico de Quaresma foi feita pelo delegado do DOPS Alcides Cintra Bueno Filho e registra que o corpo deveria ser fotografado de frente e
perfil. Mas não foram encontradas fotos de seu corpo, que deu entrada no IML quatro horas depois do suposto horário da morte. O laudo registra que uma das cinco balas
encontradas em seu corpo atingiu as costas e as outras quatro foram disparadas na cabeça, uma na região auricular direita. A relatora argumentou, em seu parecer, que era
praticamente impossível uma pessoa morrer em tiroteio com quatro tiros na cabeça.
A CEMDP encaminhou os documentos relativos à morte de Fujimori para laudo do perito Celso Nenevê, que produziu a prova mais importante utilizada pela relatora. Analisando a
trajetória dos tiros, o perito concluiu que três dos quatro projéteis que penetraram na face direita foram dados com o corpo de Fujimori em posição inferior, ou seja, caído ou deitado.
Por maioria de votos, a CEMDP considerou que Edson e Yoshitane foram executados sob a guarda do Estado. Os processos foram relatados em conjunto, mas as discussões foram
feitas em separado, resultando em votações diferenciadas.
=======================================================================================================================
+ Informações.
E
DSON NEVES QUARESMA
Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR).
Filho de Raimundo Agostinho Quaresma e Josefa Miranda Neves, nasceu em 11 de
dezembro de 1936, no Rio Grande do Sul.
Ex-sargento da Marinha, expulso com o golpe militar de 1964.
No dia 5 de dezembro de 1970, Edson passava junto com Yoshitame Fujimore pela Praça
Santa Rita de Cássia, em São Paulo, quando foram reconhecidos por uma patrulha do
DOI/CODI-SP que passou a persegui-los. A patrulha metralhou o carro, ferindo Edson e
Fujimore. Edson, mesmo ferido, tentou correr, sendo alcançado pelos policiais e assassinado
cruelmente. Um dos agentes segurou-lhe um dos braços e outro policial, segurando o outro
braço, pisou violentamente na sua garganta, matando-o. Fujimore foi assassinado com um tiro
na cabeça.
Sepultado como indigente no Cemitério de Vila Formosa com o nome de Celso Silva
Alves.
A solicitação do exame necroscópico foi feita pelo Delegado Alcides Cintra Bueno
Filho e assinaram o laudo os médicos legistas Harry Shibata e Armando Canger Rodrigues.
No Arquivo do DOPS/RJ, há documento do CENIMAR de n° 0364, de 27 de maio de
1971 que fala das mortes de Edson Neves Quaresma e Yoshitame Fujimore em tiroteio, no
Bairro Bosque da Saúde (SP). Há, neste documento, relatório de um informante de nome
Francisco Eugênio Santiago, datado de 21 de dezembro de 1970, de n° 1369, que cita os
nomes falsos de Edson e Yoshitame e acrescenta: "Cinco terroristas presos foram levados
ao Instituto Médico Legal para reconhecimento dos dois terroristas mortos. Os cinco foram
unânimes em reconhecer Yoshitame Fujimore no cadáver de "Akira Kojima"; mas não
souberam dizer quem era o mulato "Celso Silva Alves" que o acompanhava e com ele
morreu trocando tiros com a polícia. O mulato foi enterrado com nome falso." Entretanto, o
documento do CENIMAR afirma que Celso foi identificado por exame datiloscópico como
Edson Neves Quaresma.
O Relatório do Ministério da Marinha diz que "foi morto ao reagir à prisão, na Praça
Santa Rita de Cássia/SP, com outro companheiro no dia 5/12/70 às 12 horas... O fato foi
divulgado com seu nome falso, Celso Silva Alves".
==================================================================================================
+ Informações.
Y
OSHITAME FUJIMORE
Militante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR).
Nasceu em 19 de maio de 1944, em Mirandópolis (SP), filho de Tadakazu Fujimore e
Harue Fujimore.
Técnico em Eletrônica.
Foi assassinado no dia 5 de dezembro de 1970, na Praça Santa Rita de Cássia, em São
Paulo, juntamente com Edson Neves Quaresma.
A solicitação da necrópsia foi feita pelo Delegado Alcides Cintra Bueno Filho e o
laudo assinado pelos médicos legistas Harry Shibata e Armando Canger Rodrigues, que
confirmam ter sido morto em tiroteio. Foi enterrado no Cemitério de Vila Formosa (SP)
como indigente, pois o corpo não foi entregue à família, apesar de constar seus dados de
identificação completos na certidão de óbito.
A descrição do seu assassinato está na nota referente a Edson Neves Quaresma.
==========================================================================================
+ Detalhes.
DHnet



EDSON NEVES QUARESMA

Edson Neves Quaresma
Livro "Dos Filhos deste solos"
DADOS PESSOAIS
Nasceu no dia 11 de dezembro de l939 em Itaú no municipio de Apodi, Rio Grande do Norte, filho de Raimundo Agostinho Quaresma e Josefa Miranda Neves.
ATIVIDADES
Estudou até a 5a. série do curso primário em Natal/RN. No ano de 1958 transfere-se para Recife/PE, onde ingressa na Escola de Aprendizes de Marinheiros, da qual sai como grumete em 1959. Logo em seguida, é deslocado para o Rio de Janeiro, tendo servido no cruzador Tamandaré. Com a constituição da Associação de Marinheiros do Brasil, Edson passa a integrar seus quadros, atuando na tesouraria daquela entidade de defesa dos interesses sócio-econômicos dos marujos brasileiros. O golpe militar reprime radicalmente o movimentos dos praças da Marinha, resultando na prisão e confinamento de Edson na Ilha das Cobras, por um período de um ano e dois meses. Em 31 de dezembro de 1964 é expulso da Armada. A partir de 1965 mergulha na clandestinidade, tendo viajado para Cuba, onde fez treinamento militar, regressando ao Brasil em julho de 1970, já como militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).
CIRCUNSTÂNCIAS DA PRISÃO E MORTE
No dia 05 de dezembro de 1970, Edson passava junto com Yoshitame Fugimore pela Praça Santa Rita de Cássia, em São Paulo, quando foram reconhecidos por uma patrulha do DOI-CODI do II Exército que começou a persegui-los..A equipe da repressão metralhou o automóvel que os conduziam, ferindo ambos. Edson, mesmo ferido, tentou correr; sendo alcançado pelos policiais que o assassinaram cruelmente. Um dos agentes segurou-lhe um dos braços e outro policial, segurou o outro braço, pisando violentamente na sua garganta, matando-o. A necrópsia foi feita pelo legista da ditadura militar Harry Shibata. Seu corpo foi sepultado como indigente no cemitério de Vila Formosa, na quadra 15 e túmulo 66, com o nome falso de Célio Silva Alves. Documento do CENIMAR, entretanto, afirma que Célio foi identificado por exame datiloscópio como Edson Neves Quaresma.
SITUAÇÂO ATUAL
Em 1995, o Coordenador do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular-CDHMP, Roberto Monte, visitou o Cemitério de Vila Formosa em São Paulo, no qual foi mostrado a presumível tumba em que estaria enterrado Edson Neves Quaresma. A partir daí inicia-se a mobilização de seus familiares na busca da correta localização dos restos mortais de Edson. Mais recentemente, após a sanção pelo Presidente da República da Lei no. 9140\95, a família de Edson Neves Quaresma encaminhou à Comissão Especial que trata do assunto, pedido de reconhecimento da responsabilidade da União pela morte do seu parente querido.
=======================================================================================================
+ Detalhes.
DHnet

Companheiros traídos
Edson Neves Quaresma (11/12/1936 " 5/12/1970)
Yoshitane Fugimori (19/5/1944 " 5/12/1970)

Pela versão oficial, Edson Neves Quaresma, nascido no Rio Grande do Sul, foi morto ao resistir à prisão, juntamente com Yoshitane Fugimore, na Praça Santa Rita de Cássia, em São Paulo, às 12h do dia 5 de dezembro de 1970. No entanto, apesar de ser um conhecido militante revolucionário (ex-sargento da Marinha, expulso em 1964, e procurado desde então), o seu corpo foi enterrado com nome falso e somente deu entrada no IML às 16h daquele dia.
A relatora dos dois casos na Comissão Especial, Suzana Keniger Lisbôa, explica o contexto em que se deram as mortes, associando-as ao trabalho do agente infiltrado na VPR, cabo Anselmo:
Quaresma era na época o contato mais permanente de Anselmo. Voltara de Cuba para criar condições para o retorno do "amigo". Ocultar sua morte era questão fundamental para o prosseguimento, com tranquilidade, do trabalho de infiltração. O ex-cabo iniciava, ao que parece, sua atuação no Brasil. Matar Fugimori " um dos dirigentes da organização nascido em Mirandópolis, no Estado de São Paulo, e técnico em eletrônica " representava eliminar um dos empecilhos para que o ex-cabo pudesse, mais facilmente, chegar à direção e ao controle da VPR.
A relatora cita uma anotação em ficha encontrada nos arquivos do Dops de São Paulo referindo-se da seguinte forma a Fugimori: "executado em 5/12/70".
Ela, contudo, contesta a versão oficial:
Como em tantos outros casos examinados por esta Comissão Especial, Fugimori não morreu executado no tiroteio, conforme atesta a versão oficial, mas sim dentro do órgão de extermínio de presos políticos " a Operação Bandeirantes, o que está comprovado pelo laudo do perito Celso Nenevê.
Quanto a Quaresma, a relatora cita a requisição de exame também encontrada nos arquivos do Dops:
Hoje, por volta das 12h ao ser preso por policiais da Oban e do Dops, resistiu à prisão, mantendo com os policiais cerrado tiroteio, no transcorrer do qual foi atingido por um tiro e veio a falecer. OBS. Fotografar o corpo de frente e de perfil, bem como tirar cinco jogos de suas impressões.

A relatora comenta:
Tais fotos, até hoje, não foram localizadas. Pergunto: Por quê? Certamente por terem ficado por demais visíveis as atrocidades que o levaram à morte.
Suzana Keniger Lisbôa prossegue em seu parecer:
O laudo de necropsia (folhas 27 a 29), assinado pelos conhecidos médicos-legistas da repressão política, afirma que (Quaresma) recebeu cinco tiros, sendo quatro na cabeça e um pelas costas, na região dorso-lombar.
Este último não foi fatal e, provavelmente, foi aquele que o imobilizou.
Desses quatro tiros, um deles foi na região auricular direita. Nenhum tiro em membros superiores e inferiores. É praticamente impossível que, num tiroteio, uma pessoa seja atingida tantas vezes na cabeça.
Ou então, se tivéssemos as fotos para exame, como no caso de Fugimori, veríamos que Edson Quaresma teria sido baleado à queima-roupa ou recebido os tiros depois de ter tido sua garganta esmagada pelas botas de um agente assassino.
Ao quarto quesito, "se a morte foi produzida por meio de veneno, fogo, explosivo, asfixia ou tortura, ou por outro meio insidioso ou cruel", a resposta dos médicos-legistas é "prejudicado".
Na ficha do IML, a causa mortis é assim registrada: ferimento craniano por projéteis de arma de fogo, choque traumático. No verso, com anotação de 14/7/71, a anotação: "Env. Cópia p/ II Exército " Quartel General, at. Of. Nº 01/71, dat. De 14/7/71". Assinatura de recebimento, infelizmente, é ilegível.
A relatora afirma:
É evidente que o Quartel General do II Exército e, portanto, todos os órgãos de repressão, sabiam quem era o mulato Celso Silva Alves e ocultaram sua morte para proteger seu grande trunfo " o ex-cabo Anselmo.
O relatório da Marinha, elaborado à pedido do ministro Maurício Corrêa, afirma:
Foi morto ao reagir à prisão, na Praça Santa Rita de Cássia/SP, com outro companheiro no dia 5/12/70 às 12h. o fato foi divulgado com seu nome falso: Celso Silva Alves.

Certeza de identidade
Na verdade, Quaresma deveria integrar a lista dos desaparecidos políticos, não fosse a certeza da Comissão Nacional de Familiares quanto à sua verdadeira identidade à época da morte. Os critérios para elaboração da lista de desaparecidos não obedeceram, como é do conhecimento desta Comissão Especial, ao rigor previsto na Lei 9.140/95.
As mortes de Quaresma e Fugimori, ocorridas pouco tempo após a chegada ao Brasil do ex-cabo Anselmo, certamente, foram decretadas para que não representassem um obstáculo para o acesso de Anselmo ao comando da VPR.
Quaresma e Anselmo eram companheiros de muitos anos. O primeiro foi, inclusive, designado para voltar de Cuba e preparar o retorno ao Brasil do segundo. Foi assim, utilizando sua relação com Quaresma, que Anselmo conseguiu os contatos que lhe possibilitaram chegar a Fugimori e até ao capitão Lamarca.

Cabo Anselmo
Suzana Keniger Lisbôa juntou ao processo as declarações de José Anselmo dos Santos, o ex-cabo Anselmo, localizadas no arquivo do Dops/SP:
Em junho ou julho de 1970, vieram José Maria e Quaresma, deviam preparar as condições para receber-nos. Em setembro, deveríamos vir eu e Evaldo. Mas Evaldo ficou retido, por um ato indisciplinar que desconheço qual seja. Foi enviado sozinho. Traria uma mensagem cifrada de apresentação para Carlos Lamarca e ele deveria dar-me tarefas para desempenhar, explicar o funcionamento da organização etc. (...) Cada dia 15, às 15h, e dia 20 às 20h, Quaresma estaria esperando em frente ao cinema Metro. Cheguei ao Brasil dia 15 de setembro de 1970. (...) No dia 15 de setembro, encontrei Quaresma, que me disse que não havia nenhum aparelho, nenhum apoio. (...) Neste tempo, creio que meados de novembro, recebi de Quaresma, com quem me encontrava uma vez por semana, o aviso de que devia seguir viagem para avistar-me com Lamarca. Às cinco horas da manhã, encontrei-me com Quaresma, na Rua Domingos de Morais, em frente ao cinema San Remo. Fomos para o Jabaquara, onde nos encontramos com Fugimori (...)
Fiquem em contato, uma vez por semana, com Quaresma. Passei a datilografar (com uma máquina que me foi dada por Quaresma e que deve estar no escritório de Ivan (Edgar Duarte), uma semiportátil, sem tampa) o relatório sobre Cuba (...)
Corria o mês de novembro, quando se deu a morte de Toledo, da ALN, e pelos documentos publicados soubemos que Palhano estava chegando. Efetivamente, Quaresma recebeu-o e fez-me contatar com ele em fins de novembro (...)
Em outro depoimento, este datado de 4 de junho de 1971, Anselmo reafirma:
(...) que chegou ao Brasil em 15 de setembro de 1970, tendo desembarcado no Aeroporto de Campinas. Que foi para São Pedro da Aldeia, tendo em vista que somente no dia 30 de setembro teria ponto com Quaresma em São Paulo, quando encontrou Quaresma (... que Quaresma apresentou-o a Yoshitane Fugimori (...) que em São Paulo ficou em contato com Quaresma e, após a chegada de Palhano, também com este (...).
Em entrevista publicada em IstoÉ, de 28/3/1984, Anselmo informa também seus contatos com Quaresma e Fugimori. Perguntado se teria sido o responsável pela morte dos dois, como muitos crêem, afirma:
Não, não é verdade. Eu tive contato com o Yoshitane Fugimori e com Edson Quaresma, mais com Quaresma. (...)
Perguntado sobre quem teria matado Quaresma e Fugimori, Anselmo responde:
De ler nos jornais, deve ter sido a equipe do Dr. Fleury.
A relatora continua:
Evidentemente, cabo Anselmo não quis assumir sua responsabilidade na morte de um amigo de tantos anos. Não havia motivo para que o fizesse, já que nunca se dispôs a resgatar a verdadeira história, quando se tornou, mais do que infiltrado, um agente dos órgãos de segurança. Mas eliminá-lo, ao que parece, foi uma de suas tarefas primeiras, bem como a José Maria Ferreira de Araújo, constante da lista oficial de desaparecidos.
Todos os contatos de Anselmo foram premeditadamente assassinados, suas mortes foram cuidadosamente planejadas a fim de não levantar suspeitas e, na maior parte das vezes, "culpados" foram eleitos para serem os responsáveis por essas mortes, até que seu trabalho de infiltração foi, finalmente, desmascarado, em 1973, quando patrocinou o "massacre da Chácara de São Bento".
As reais circunstâncias das mortes de Quaresma e Fugimori ficam para um outro momento, já que os principais arquivos da repressão ainda não foram abertos. Há, certamente, outras fotos, outros fatos elucidativos.
Certo é que a versão oficial dos órgãos de segurança é falsa, contestada pelo depoimento do ex-preso político Ivan Seixas, pelo laudo do perito Celso Nenevê e pelo traiçoeiro trabalho de José Anselmo dos Santos.
E a relatora dá o seu voto:
Yoshitane Fugimori e Edson Quaresma foram mortos sob a responsabilidade do Estado. Quaresma, depois de ferido, teve sua garganta esmagada, e Fugimori, além de ter sido atingido após rendido, veio a falecer dentro da Operação Bandeirantes.
Voto pelo enquadramento dos nomes dos dois militantes dentro dos preceitos da Lei 9.140/95.
Os dois casos foram acolhidos pela Comissão Especial: o de Quaresma por 4 x 3, sendo vencidos os votos dos generais Oswaldo Gomes, Paulo Gonet Branca e João Grandino Rodas; e o de Fugimori por 6 x 1, tendo general votado mais uma vez pelo indeferimento.
=======================================================================================================
+ Detalhes.


Domingo, 28/06/2009 às 06h45
Negros que morreram na luta contra o regime militar recebem homenagem
Entre os homenageados está o potiguar Edson Neves, nascido em Apodi e morto em São Paulo.
Por Redação, Com informações da Agência Brasil
Divulgação

Edson era líder sindical entre os marinheiros.
Descendentes de escravos que morreram na luta contra o regime militar (1964-1986) foram homenageados hoje (27) na 2ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, em Brasília. Entre as vítimas que receberam homenagem está o potiguar Edson Neves Quaresma. Ele nasceu em Apodi e era lider sindical entre os marinheiros. Foi morto em 1970, em São Paulo.

No evento, os secretários-adjuntos das secretarias especiais dos Direitos Humanos (SEDH), Rogério Sottili, e de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Eloy Ferreira, apresentaram um totem, de 1,80m de altura por 0,80m de largura, com imagens de 40 negros - 35 homens e 5 mulheres " mortos e desaparecidos durante a ditadura.

A ideia da SEDH é fazer com que o totem seja levado para vários lugares, assim como a exposição "Direito à Memória e à Verdade", cujos painéis contam a história da resistência ao regime militar no Brasil e já rodaram mais de 50 cidades brasileiras e do exterior.

Sottili ressaltou que uma das maiores violações dos direitos humanos é feita pela segregação, pelo preconceito e pela discriminação. "Igualdade racial é uma luta de preservação, de promoção dos direitos humanos. Todo o Estado deve estar comprometido de varrer do nosso país toda, qualquer tipo de discriminação, seja racial, de gênero, de diversidade religiosa", disse.

Para Ferreira, a historiografia não teve "o cuidado ou a preocupação de registrar a luta dos negros ao longo da história do Brasil". Segundo o secretário, levar o conhecimento da luta dos negros contribui para o "fortalecimento da identidade nacional". "A juventude vai saber, a nação vai conhecer que temos heróis negros, brancos, que todos formamos o Brasil."

Segundo Ferreira, ainda é preciso trabalhar mais sobre esse tema nas escolas do país. "É um processo superar o racismo institucional."

Segundo ele, durante o regime militar, as escolas ensinavam que Zumbi dos Palmares foi um negro insurreto. "Essa inversão de valores é hoje repudiada pela historiografia, pela força do movimento negro e pela força dos governos que, após a ditadura militar, trabalharam na construção de valores nacionais."

A lista de 40 homenageados, com um breve histórico de cada um deles, está disponível na internet.

EDSON NEVES QUARESMA (1939-1970)
No dia 05/12/1970, Edson - líder sindical entre os marinheiros antes de 1964 - e Yoshitane Fujimori, ambos militantes da VPR, foram interceptados por disparos de uma patrulha do DOI-CODI/SP. Um motorista de táxi, que assistiu a cena, contou que Fujimori, caiu no meio da praça e Quaresma numa rua de acesso, sendo então carregado por dois policiais e agredido até a morte. Foi sepultado como indigente e com nome falso no Cemitério de Vila Formosa.

O laudo registra que apenas uma das cinco balas encontradas em seu corpo atingiu as costas. As outras quatro atingiram o crânio, tendo uma delas perfurado o ouvido direito. Esse exame desmente a versão oficial do aparelho de repressão do regime militar, pois é praticamente impossível em um tiroteio, alguém ser alvejado quatro vezes na cabeça.

Edson Quaresma fez os primeiros anos de estudo em Natal e, em 1958, ingressou na Escola de Aprendizes de Marinheiros, em Recife, da qual saiu como grumete em 1959, sendo, em seguida, transferido para o Rio de Janeiro. Foi tesoureiro da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil. Após a deposição de João Goulart, expulso da Armada, ficou preso na Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, durante um ano e dois meses.

A partir de 1965, passou a atuar na clandestinidade, vinculado ao Movimento Nacional Revolucionário " MNR, de orientação brizolista. Viajou para Cuba, onde recebeu treinamento de guerrilha. Já integrado à VPR, voltou ao Brasil em 1970.

A 2ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial termina amanhã (28). São 1,3 mil delegados eleitos em todo o país para discutir temas como a titulação de terras quilombolas, as cotas no ensino superior, religiões de matrizes africanas, políticas para as populações indígenas e ciganas e o combate ao racismo institucional.

Para a secretária de Promoção da Igualdade Racial da Bahia, Luíza Bairros, a conferência abre caminho para que movimentos sociais se organizem e governos locais passem a dar atenção à questão da igualdade racial.
http://www.nominuto.com/noticias/brasil/negros-que-morreram-na-luta-contra-o-regime-militar-recebem-homenagem/34201/
  Autor: Carta o Berro





Capa |  A SEMANA  |  AQUI E AGORA  |  CURTAS  |  INGÁ NOTÍCIA  |  O MUNDO  |  OPINIÃO DO EDITOR
Busca em

  
608 Notícias